No vasto universo da gestão corporativa, frequentemente confundimos liderança com a capacidade de impor velocidade. Em meu romance Além das Vinhas, o patriarca Augusto Vasconcelos surge para desafiar essa premissa, encarnando uma liderança que entende o tempo não como inimigo, mas como maturação. Para ele, a Casa Vasconcelos é mais do que um ativo no balanço; é um testemunho de gerações, onde cada decisão carrega o peso de honrar quem veio antes e proteger quem virá depois. Mas até onde a tradição resiste quando o caixa aperta?
O conflito central de Augusto é o pesadelo de qualquer CEO que preza por valores inegociáveis: a chegada de uma proposta de aquisição que resolve os problemas financeiros imediatos, mas ameaça diluir a alma do negócio. Diante dos executivos da Endeavor Capital Group, ele se vê em uma encruzilhada brutal. De um lado, a segurança do capital e a promessa de perpetuidade financeira; do outro, a integridade do propósito e a autonomia de decidir o próprio destino. Sua resistência não nasce da teimosia, mas de uma escuta ativa refinada por décadas no campo, entendendo que tanto a terra quanto as organizações dão sinais sutis que a pressa do mercado ignora.
Ao acompanhar Augusto, o leitor é convidado a sentar-se na cabeceira dessa mesa tensa. Ele observa seu filho, João, seduzido pela modernidade, e questiona se sua própria visão de mundo ainda tem lugar no século XXI. Augusto nos força a perguntar: o que é, de fato, inegociável em nossa carreira e em nossa vida? Em Além das Vinhas, a resposta não é óbvia, e o preço da coerência pode ser mais alto do que qualquer um está disposto a pagar.
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