Muitos profissionais passam a vida escalando a escada corporativa apenas para descobrir que ela estava apoiada na parede errada. Luiza Martins, analista sênior do grupo Endeavor, inicia sua jornada em Além das Vinhas como o arquétipo da eficiência fria, armada com dados e focada em resultados. No entanto, sua personagem é o veículo para uma discussão profunda sobre propósito na carreira. Ao sair do escritório em Lisboa e pisar no solo irregular do Douro, Luiza começa a desenvolver uma visão sistêmica que vai além dos números, enxergando as pessoas e as histórias que sustentam a operação.
Através de sua lente — literal e metafórica, já que ela carrega sempre uma câmera —, Luiza captura o que as auditorias ignoram. Ela observa a “qualidade certificada” das grandes fazendas industriais e sente o vazio de um processo que, ao eliminar falhas, eliminou também a vida, chamando-o de “túmulo do terroir” . Esse incômodo crescente é o sinal de um despertar para a humanização nas relações de trabalho. Luiza representa a inteligência que se recusa a ser apenas uma engrenagem, buscando coerência entre o que faz e o que sente.
A evolução de Luiza nos convida a repensar nossa própria relação com o trabalho. Ela questiona se estamos construindo valor real ou apenas maquiando relatórios para justificar decisões financeiras. Sua história é um convite para que líderes e colaboradores olhem para a cultura organizacional com mais empatia e profundidade. Ao final, Luiza nos ensina que a competência técnica é indispensável, mas é a sensibilidade humana que transforma um bom profissional em alguém capaz de enxergar e documentar a verdade.
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